
Na verdade são 4 horas da manhã, não consigo dormir, amanhã acho que terei um dia difícil pois receberei a noticia de que daqui há alguns anos eu ficarei cegou ou possa não ficar cego, ou o que mais provável de acontecer é que fique cego daqui há alguns anos sem saber. Mas não ver não é o que me deixa acordado inquieto. Talvez o nervosismo de não ter alguém para me apoiar depois da cirurgia, não ter alguém que eu confia minha vida e possa me guiar, talvez sim esse seja o motivo da minha aflição. Mas tenho consciência de que não é o mais importante. O que me deixa acordado há dias e a futura cegueira de olhos abertos de não poder ver o que é belo, de não poder enxergar o que é importante, acho que de ficar cego para o amor.
Meu maior medo, nesse momento, não é de ficar sem ver daqui a alguns anos, mas sim, de que eu não possa ser digno de ser homem para você, de ser honrado, de ver o sorriso no seu rosto quando diz que sou seu marido. Tenho medo, de ficar cego dos sentidos, de não poder mais sentir seu corpo enroscado no meu, não poder mais respirar seus perfume, medo de não poder mais ser seu.
Resolvi escrever porque pela primeira vez, tenho a sensação de perda. Não uma sensação de perda visual como comecei a carta, mas perda sentimental. De todas as vezes que terminamos, eu sempre tinha medo de não poder te ver mais, ou te beijar, te sentir, viver contigo, mas dessa vez tenho certeza. Tenho certeza, que meu erro, foi grave, certeza que te magoei, certeza que talvez não voltemos a nos ver.
Gostaria muito que entendesse essa carta como um pedido desesperado de um rapazinho em desenvolvimento para a faze adulta de sua vida. Um jovem que sonha com um futura para dar para esposa, um garoto que tem esperança de um dia poder construir uma casa em vargem grande onde possa receber os amigos, onde possa criar tudo que sempre sonhou, onde possa apoiar a esposa nas decisões de produção, onde esse rapaz quando se tornar um homem seguro de si, possa ser dono do seu próprio mundo. Um mundo que não seja de boemia que não seja de farsas, um mundo florido e cercado de galinhas, onde possa criar sua neta, seus filhos. Onde realmente seja divino para que uma mulher como você possa realizar os sonhos e ser tratada como rainha que você merece não só isso, mas todas as coisas boas do mundo.
Essa carta é um pedido desesperado de um rapaz que não sabe mais o que fazer sem a força que vem de você. Um pedido de desculpas, e de reconciliação. Esse mesmo jovem já não sabe mais o que fazer para reparar todos os erros que cometeu na sua curta vida. E que nunca irá se perdoar se ficar cego para o amor sincero que existe entre duas pessoas de mundos diferentes, duas pessoas de idades diferentes mas que apesar de todas as diferenças se amam.
Perder a visão da banalidade caótica do mundo atual não me importa, mas deixar de ver a beleza nas pequenas coisas, como as pintas do seu corpo, uma musica tocada, um fio de cabelo achado nas roupas, deixar de ver a beleza numa tempestade, ver como é belo o sorriso de uma mulher maravilhosa, inteligente, simpática, meiga e gentil sim, essas pequenas belezas que deixarei de ver é que mais me deixam com medo. Mas talvez eu possa senti-las de novo, talvez quando não puder mais ver eu possa vê-las de outras formas, como o toque o cheiro o ouvido. Já me fazem alta esses sentidos, e agora, mais que nunca sei que estou perdendo todos eles de uma vez só, sabendo que o amor, virou algo inefável.
Minha eterna coisinha, posso te amar da forma mais errada do mundo. Posso fazer as piores coisas que existem, posso ser o mais idiota, o mais babaca, o mais sei lá o que, mas se existe uma coisa que tenho certeza na vida, é que fui, sou e para sempre vou ser apaixonado loucamente por você. E do fundo do meu coração espero que entenda e atenda esta carta, pois estou no escuro, estou ficando cego, e peço-lhe por favor, não deixe que eu fique cego do amor.
Eu amo você, mesmo q de forma errada, mas amo! Me desculpe por isso!
Fabiano de Assis Geiger